Qual o primeiro sentimento que vem na sua cabeça ao ver um cavalo galopando? 

Pra mim é e sempre foi liberdade.

 

Não só porque eu acredito que os cavalos nasceram para serem livres, e não para trabalhar para os animais mais egoístas que habitam esse planeta. Mas porque eles comunicam com o olhar. É fácil notar, basta olhar dentro dos seus olhos pra sentir que não há felicidade sem liberdade.

 

É irônico como as coisas funcionam… Para os cavalos, a liberdade é física e só depende de nós. Para as mulheres, a liberdade é financeira. Para os homens, a liberdade é inata. Os três são animais selvagens, mas só um tem consciência disso, e somente ele reivindica esse lugar, sabendo que é onde deveria estar.

 

Dentre tantas definições para selvagem, a que mais me encanta é a do Michaelis: Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.

 

sel·va·gem

adj m+f

 

5 Diz-se de animal que ainda não foi domesticado; indomado.

 

Ao nos entendermos como animais, e mais, animais do sexo feminino, tudo o que não queremos é ser domesticadas, certo?

Indomadas é a palavra.

Queremos ser livres para ser quem somos. Livres para fazer o que quisermos. Apenas livres.

 

Quando comecei a trabalhar com internet há 10 anos atrás, recebia por muitas vezes o elogio (para elas) e adjetivo indesejado (pra mim) de “fofa”. 

Mas eu queria ser livre, e pra conquistar essa tal liberdade não poderia ser fofa, afinal, ser fofa significava ser delicada, doce, agradável… E eu já tinha entendido que pra ganhar essa batalha eu precisaria ser é feroz.

 

E foi assim que guardei o meu lado doce no fundo da última gaveta por mais de 10 anos. 

Eu só não tinha percebido que ao fazer isso, eu estaria sufocando uma parte de quem eu sou, gostando ou não.

Manter no escuro o que sentimos e o que somos, não faz nada desaparecer. Não é como mágica, é mais como tortura. Nada some, nada desaparece, tudo permanece ali, envolto por uma delicada camada de vergonha coberta por um tanto de pó de medo.

 

Tudo isso pra dizer que me entender como selvagem me fez ter coragem de abrir essa gaveta, deixar a luz entrar, e ao recolher minhas partes me senti enfim inteira. Não completa, mas não mais aos pedaços.

 

É isso que eu desejo pra vocês nesse ano do cavalo de fogo. Desejo que sejam selvagens. Desejo que sejam livres. Desejo que sejam quem vocês quiserem ser, sabendo que podem ser tudo de uma vez, e um pouco mais.

 

Doce porém selvagem.

 

Com amor, 

 

Luiza Rossi